Não fique triste! Aqui você verá que não existem motivos para desespero e pânico. Ainda há uma luz no fim do túnel para o nosso tão desprezado rock brasileiro. Ainda há um fio de esperança para quem aprecia uma boa música pop. Vanessa, Mauro, Habacuque, Edu e Vlad estão na ativa. Eles não vão nos abandonar assim tão facilmente.

 

Então o Maybees acabou. Todos aceitaram (a Vanessa foi a mais difícil de se convencer, pois "Maybees" já era praticamente o seu sobrenome), os fãs reclamaram, mas aos poucos todos voltaram seus olhos para o futuro, à espera do que eles estariam tramando.

De novembro de 2001 até janeiro de 2002, os 5 ex-Maybees deram um tempo para aproveitar as férias e pensar na vida. Na seqüência, retomaram os ensaios e as composições de novas músicas, sempre em busca de um nome para a banda. Deixaram a Polythene Pam e também trocaram de produtor. Quem produzirá a banda agora, tanto em estúdio quanto nos shows, é o Léo Shina. Além de excelente produtor e conhecedor de sons, Leonardo é um amigo dos tempos da faculdade que cresceu muito na música, nas áreas de estúdio e produção fonográfica.

Neste período, algumas explicações erradas a respeito do final do Maybees começaram a surgir:

1) "O Maybees trocou de nome pra cantar em português". Falso. O Maybees acabou. Uma nova banda surgiu, com os mesmos integrantes, mas com um novo conceito, uma nova postura, um novo estilo. Não apenas uma mudança de língua. "A língua nunca foi questão pra gente, mas sempre foi questão pros outros", explica Mauro.

2) "Isso é golpe de marketing, típico de uma banda de publicitários". Falso. O Maybees não acabou para poder aparecer na mídia. Eles nunca precisaram desse tipo de apelo. E definitivamente não se trata de uma banda de publicitários. Pode parecer óbvio, mas é bom deixar bem claro: eles são uma banda de músicos!

3) "A banda se vendeu. Vai gravar em português por exigência do mercado." Falso. Mauro explica: "Se a gente se vendeu, eu ainda não vi a cor do dinheiro que me comprou". A nova banda vai cantar em português simplesmente porque faz sentido para este novo caminho que eles decidiram seguir. Se fizer sucesso, ótimo! Torcemos para que faça.

Em maio de 2002, surgiu a oportunidade de participar de um show da Revista Frente ao lado de Casino e PB, e foi necessário decidir o nome da banda. Entre várias sugestões dadas em meses de brainstorm, decidiu-se pelo nome Supertrunfo - o mesmo do projeto paralelo do Habacuque, e o mesmo daquele clássico jogo de cartas que fez sucesso há tempos atrás.

O show, realizado no dia 04 de maio no SESC Pompéia, em São Paulo, marcou a estréia do Supertrunfo. Novo logotipo, novas camisetas, adesivos e aquele material de divulgação com a qualidade de sempre. Visualmente a banda também mudou. Todos entraram de preto, para celebrar uma verdadeira noite de gala com a première do Supertrunfo.

No repertório (totalmente em português, com alguns títulos ainda provisórios): "Supertrunfo", instrumental para aquecer o público, ainda em estado de choque com a entrada triunfante de Vanessa no palco; "Da Primeira Vez", o Supertrunfo mostra sua cara, Vanessa solta aquela voz, chama a atenção da platéia e a música termina com um solo de bateria de tirar o fôlego; "O Dia em que Seremos Felizes", também conhecida anteriormente como "Não Vou Mais", com seus teclados inconfundíveis; "Aconteceu", uma balada de arrasar corações; "Tudo Bem, Tudo Bom", mais uma com refrão contagiante; a bela "Kriptonita", uma balada com guitarras fortes e arrepiantes; "Todo Esse Ar", outra balada destruidora de corações; "Trânsito" - provavelmente o primeiro hit da nova banda; e "Dois a Rodar", que dá vontade de abraçar a pessoa do seu lado e sair dançando pela pista.

Algum tempo depois, o Supertrunfo se viu obrigado a mudar de nome novamente. Apesar da aprovação da fábrica de brinquedos proprietária da marca, outras bandas com o mesmo nome foram descobertas. Por uma questão ética, a banda ficou sem nome por mais um tempo, até que fosse escolhido o LUDOV (lê-se ludóv e não lúdov), também retirado de um projeto paralelo do Habacuque, inspirado no projeto “ludovico” do filme “Laranja Mecânica”.

Nesta fase de Supertrunfo e Ludov, as músicas do Maybees não foram tocadas. E não deverão ser tocadas por um bom tempo. Mas será que ainda ouviremos Maybees ao vivo? Talvez! O Ludov não descarta a hipótese de tocar algumas covers da antiga banda em alguma ocasião que venha a surgir. É importante deixar bem claro que não há mágoas ou arrependimentos em relação ao Maybees. Mauro brinca com o passado: "Queria agradecer a esse tal de Maybees por tudo que a gente é hoje". O Maybees fez a sua parte, deixou a sua marca e dois belos CDs gravados, que estarão para sempre por aí, para que não esqueçamos de músicas lindas como "Erika", "Blue Butterflies", "Picture Perfect", "Scream Queen" e tantas outras que ninguém quer deixar para trás.

Habacuque explica: "A banda não acabou por causa de decepções. A gente não definhou. Nem cometemos suicídio. Maybees foi assassinado, mas não acredito que queria morrer. O que complica é que quem assassinou Maybees foi o Ludov - que nem tinha nome, mas já existia em idéia e composição. E Ludov somos nós mesmos... Daí fica difícil, né? Entender essa necessidade tamanha a ponto de o estado de loucura - Ludov - destruir o estado normal - Maybees - e a mesa simplesmente virar de lado”.

Falcão, ex-baterista e agora testemunha ocular da nova banda, dá seu depoimento: "Hoje acho que a banda está na sua melhor forma. Nunca vi a banda tão coesa musicalmente. O mérito virá quando tiver que vir. Enquanto isso, vamos (nós, músicos) fazer o melhor de nossas vidas e perceber a importância de cada aspecto delas e como tudo o que vivenciamos influencia na música".

Nossa história, que começou pelo final do Maybees, agora acaba pelo começo do Ludov, com um convite de Habacuque: "A gente era o Maybees. Você não quer dar uma ouvidinha? Quem sabe você não gosta?".

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