Não fique triste! Aqui você verá que não
existem motivos para desespero e pânico. Ainda há
uma luz no fim do túnel para o nosso tão desprezado
rock brasileiro. Ainda há um fio de esperança
para quem aprecia uma boa música pop. Vanessa, Mauro,
Habacuque, Edu e Vlad estão na ativa. Eles não
vão nos abandonar assim tão facilmente.
Mauro e Habacuque
chegaram em São Paulo, como tantos outros, para fazer faculdade.
A lembrança que ficou desta chegada foi a primeira noite,
quando conversaram horas sobre João Gilberto. Morando juntos,
eles passavam as tardes tocando violão e compondo despretensiosamente.
Ah é... e estudando também.
Durante um workshop realizado na ESPM, Habacuque
teve um daqueles momentos mágicos de iluminação
quando ouviu uma menina cantando numa rodinha de amigos. Impossível
não notar aquela voz. Impressionado, ele foi até lá
puxar conversa e assim mais uma futura integrante do Maybees entra
na nossa história: Vanessa Krongold.
A vida toda Vanessa cantou. "Tudo virava microfone
na minha mão. Desde o chuveiro do banheiro até o guidão
da bicicleta". Cantava sem parar no colégio, inclusive
durante as aulas, e por isso não era muito querida pelos
professores. Em compensação, suas amigas adoravam
e a incentivavam a procurar uma banda. Assim, foi apresentada ao
Zé, baterista do Tears of Blood, uma banda de influências
góticas a procura de vocalista. Então Vanessa abandonou
o chuveiro e passou a cantar em uma banda de verdade, iniciando
sua relação profissional com a música.
Em 1995, entrou na ESPM e se surpreendeu ao conhecer
músicos que escutavam o mesmo tipo de som que ela. "É
como amar alguém que te ama. É o encontro". Sobre
seu encontro com Habacuque, ela lembra: "A gente se conheceu
num workshop, tocamos umas músicas juntos, nos empolgamos
com nossas similaridades musicais e, provavelmente, com as qualidades
também".
A necessidade de tocar por pura diversão havia
levado Habacuque a montar a banda Hangman com outros amigos (Yuki
no baixo e, na bateria, Vlad Rocha - guarde este nome). Eles tocavam
punk rock, coisas de Green Day, Bad Religion e NOFX, além
de algumas composições próprias. A Vanessa
também chegou a fazer parte desta banda.
Nesta mesma época ocorreu o FestValda, festival
de música universitária. Habacuque quis concorrer
com uma música que não era bem o estilo de sua banda.
"Um Canto para Mim" era uma baladinha mais voltada para
a MPB.
E lá foram Vanessa e Habacuque participar
do FestValda. O nome da dupla era "Dupla Ímpar"
e eles classificaram-se, porém não ganharam nenhum
prêmio. Mas, como diria aquele filósofo, nada acontece
por acaso. A união dos dois renderia muito mais do que um
prêmio em um concurso de bandas.
O guitarrista do Tears of Blood foi morar em outro
estado, enfraquecendo a banda. Aos poucos Vanessa ia se tornando,
como ela mesma diz, "toda Maybees".
No mesmo FestValda, Vanessa foi apresentada a Mauro
e os três passaram a se encontrar constantemente para tocar
e cantar - ainda sem pretensão nenhuma. Mauro ainda se lembra
da primeira vez em que falou com ela: "Foi na sala de TV aqui
em casa. Habacuque falava com ela pelo telefone e me passou para
eu dar um alô. Aí eu falei: nossa, que voz! ela é
gatinha? (risos) Aí o Habacuque ficou meio indignado pela
minha pergunta, porque 'porra Mauro!, e é
isso que interessa?' Coloquei curiosidades mundanas à frente
da arte".
As bandas que mais influenciavam esta pré-história
do Maybees eram 10.000 Maniacs, Cranberries, Pulp, Belly, Suede,
Oasis e Blur - uma mistura do melhor do britpop com grandes bandas
de vocais femininos.
Com estas influências, natural que as músicas
compostas também fossem em inglês. "As palavras
caíam bem nas melodias, talvez por causa de nossas influências
na época terem sido predominantemente de rock cantado em
inglês" (Habacuque). No final de 1995 surgiu a idéia
de gravar uma fita caseira com estas músicas. Algumas foram
gravadas posteriormente, como "Mary & Moon", "Onion
Taste Hater", "You're Back", "Bubbles in my
Blood" e "The Mirror of Your Eyes". Outras permanecem
inéditas, como "Joker", "All the Shephers
of the World" e "Old Fancy Excuses".