Não fique triste! Aqui você verá que não
existem motivos para desespero e pânico. Ainda há
uma luz no fim do túnel para o nosso tão desprezado
rock brasileiro. Ainda há um fio de esperança
para quem aprecia uma boa música pop. Vanessa, Mauro,
Habacuque, Edu e Vlad estão na ativa. Eles não
vão nos abandonar assim tão facilmente.
Acompanhando um show de amigos da
faculdade na noite paulistana, Mauro, Habacuque e Vanessa foram
surpreendidos por um certo colega da ESPM que tocava baixo muito
bem. Aproveitando que o instrumento já se fazia necessário
para as crescentes pretensões da quase-banda, convidaram
Eduardo Filomeno para tocar com eles.
Edu começou a tocar violão aos 10 anos.
Do violão, partiu para a guitarra. Mas ele não se
conformava com a ditadura dos "guitarristas virtuosos"
como Steve Vai, Joe Satriani e seus seguidores. Como forma de demonstrar
sua indignação, abandonou a guitarra e partiu para
o baixo. Chegou a fazer parte da banda de reggae Rasta Feelings
e do Aardvark (formada por ele, Dalba e Falcão - guarde este
nome). Foi descoberto pelos futuros colegas de Maybees durante um
show no Sub-Zero (famosa casa roqueira de São Paulo), no
qual acompanhava o amigo Peixe, também da ESPM. Já
no primeiro ensaio, ele gravou o baixo de "Onion Taste Hater"
para uma fita demo e foi aprovado.
Entre o final de 1995 e o primeiro semestre de 1996,
vários percussionistas e bateristas fizeram testes acompanhando
a banda. Em 14 de junho participaram do Fumeca, um festival de música
da ECA, com Daniel Leal tocando bongô. Para entrar no cartaz
do festival, eles precisaram definir um nome para a banda.
Algumas opções de nomes surgiram, como
Cab#2. Na época Habacuque havia comprado seu primeiro CD
do Pixies ("Trompe Le Monde"). Nele havia uma música
chamada "U-Mass", cuja letra dizia 'of the april birds,
and the may bee' ('dos pássaros de abril e a abelha de maio'
- sendo que "may bee" também serve como trocadilho
para "maybe" = "talvez"). "Não sei
porque isso me chamou a atenção, mas ouvi algumas
vezes pra ter certeza do que ele estava falando, e achei bem divertido",
lembra Habacuque. Ele sugeriu o nome, o pessoal gostou e assim estava
formado o Maybees. Fã de Beatles, Mauro explica o nome: "Trocadilho
com nome de inseto costuma dar certo."
A partir daí, começaram a pensar em
logotipos até que Mauro e Habacuque definiram a estrela com
a elipse acima - a marga registrada da banda. Camisetas e adesivos
foram feitos, ajudando a divulgar a "marca" Maybees. A
preocupação com a qualidade visual dos trabalhos esteve
presente desde o início, sempre foi um diferencial do Maybees
e provável fruto das experiências dos integrantes com
publicidade. Inclusive muita gente achava que "Maybees"
era alguma nova grife.
E assim o Maybees teve sua estréia no Fumeca.
Com violões e baixo elétrico, tocaram "Onion
Taste Hater", "Bubbles in My Blood" e algumas covers
("Luka", de Suzanne Vega e "You Oughta Know"
de Alanis Morissette), conquistando o segundo lugar no festival.
Algumas semanas depois, outro festival em outra faculdade:
o festival de música da ESPM. Luiz Fofy assumiu as baquetas
e, agora com guitarras e distorções, o Maybees conquistou
o primeiro lugar.
Com a moral conquistada nos festivais, uma fita demo
gravada, camisetas e adesivos, o Maybees começava a marcar
seu território na cena "indie" paulistana, numa
época em que esse termo era muito mal utilizado. Ser indie
(ou independente) significava tocar hardcore na garagem de casa,
encher músicas de distorções e fazer capas
de fitas ou CDs demos na base do xerox.
Sobre a cena indie, Mauro comenta: "Às
vezes até acredito que ajudamos de maneira razoável,
claro que em um momento certo, em um contexto favorável,
a cena começar a tomar forma novamente aqui em São
Paulo, as bandas novas a fazerem capinhas de demo legais, e camisetas,
e adesivos..."
O Maybees se diferenciava por dar este tratamento
de qualidade tanto nos materiais promocionais quanto nas músicas
- um rock sem medo de ser pop, com refrões contagiantes e
influências de Beatles e Beach Boys. "Sinceramente, eu
não tenho dúvidas de que demos um empurrãozinho
pra que o indie fosse bem feito. A gente se considerava a melhor
banda do mundo, como é que podia ter material tosco? E nem
era comparando a gente às outras bandas, a gente nem conhecia
ninguém além do Mother Superior! (risos) Era só
porque tinha que ser bem feito. Só isso", diz Vanessa.
Como você pode notar, aquela falta de pretensão
do começo já havia ido pro espaço. Era hora
de alçar vôos maiores, e a banda começou a fazer
contatos com gravadoras independentes como a Polythene Pam.