Não fique triste! Aqui você verá que não existem motivos para desespero e pânico. Ainda há uma luz no fim do túnel para o nosso tão desprezado rock brasileiro. Ainda há um fio de esperança para quem aprecia uma boa música pop. Vanessa, Mauro, Habacuque, Edu e Vlad estão na ativa. Eles não vão nos abandonar assim tão facilmente.

 

Estudando e trabalhando em seus respectivos empregos durante o dia, ensaiando, tocando e sonhando durante a noite. Era esta a dura rotina dos membros do Maybees, assim como da maioria das bandas independentes do Brasil - rotina que continua até hoje.

Uma dessas bravas bandas era o Mother Superior, que teve grande importância para o começo do Maybees. A fita demo foi parar nas mãos do Max, vocalista e guitarrista, que os convidou para o primeiro show no Black Jack (outro famoso ponto de bandas em São Paulo). Os demais membros do Mother Superior eram André (guitarra e vocal), Guga (bateria) e Bernardo (baixo).

Mother Superior e Maybees passaram a dividir os palcos regularmente. Tornaram-se uma espécie de bandas-irmãs, com todo o respeito e a rivalidade que este termo possa sugerir. "Cada vez que víamos que eles podiam estar melhores no palco, a gente corria um pouco para ultrapassá-los", conta Vanessa.

A amizade com a banda mais experiente foi fundamental para dar uma alavancada na carreira do Maybees. Juntos eles tocaram músicas de Weezer, Beatles, Pulp, Oasis, Pixies e Smashing Pumpkins, e aos poucos foram formando um público próprio e um certo "hype" que alimentou a auto-confiança de todos. Segundo Mauro, "ganhamos incentivo de uma banda realmente boa, o que me fez acreditar que éramos bons também. Incentivo em mostrar músicas novas a cada show, e meio que superar um as composições do outro. E grandes trocas de influências e uma amizade interessante. Era uma época com grandes sonhos e pouca necessidade de pé no chão".

Eles - e o seu crescente público - sempre acharam que eram diferentes das demais bandas da época. Agora começavam a ter certeza disso.

Voltando um pouco no tempo, resgate na memória o nome Falcão. Baterista desde os 15 anos, Rodrigo Falcão tocava no Aardvark (onde Edu era o baixista) e estudava na mesma sala que Habacuque na ESPM. Então Edu partiu para o Maybees. Algum tempo depois, alguns membros do Aardvark chegaram a montar outra banda, o April Fool, que durou pouco. Quando se viu sem banda, Falcão imprimiu um anúncio e espalhou na Teodoro Sampaio (rua com o maior número de lojas de instrumentos musicais de São Paulo) e na Galeria do Rock (concentração de inúmeras lojas de CD no centro da cidade). Como resultado dos anúncios, Falcão montou a banda Afternoon Session.

Nesta época, o baterista Fofy estava se dedicando ao vestibular e não possuia muito tempo disponível para o Maybees - que começou oficialmente a procurar um novo baterista. Conhecido de Edu e de Habacuque, Falcão acabou aceitando: "Andava bem viciado em Weezer e os caras do Maybees também. Marcamos um ensaio e eles me 'contrataram' ". A performance no ensaio impressionou a banda e logo chegaram à conclusão de que o Falcão era a pessoa certa.

Mas não foi assim tão fácil. Falcão considerava o som do Maybees muito pop e a princípio não se sentiu atraído pelo convite. O "fator Weezer" foi mesmo fundamental para sua entrada na banda, como lembra Habacuque: "Sabia que o gosto musical dele provavelmente não 'bateria' com o som da nossa banda. Entretanto, numa conversa com o Falcão certo dia, dei a entender que o som do Maybees tinha algo a ver com Weezer, e por sorte ele estava bastante interessado em Weezer na mesma época. Sendo assim, aceitou o convite pra aparecer num ensaio e tocar algumas coisinhas."

Ocorreu então um breve ajuste da personalidade do novo integrante à personalidade da banda. Além do gosto musical, as ideologias do Falcão também eram divergentes. Segundo Mauro, isso não era de todo ruim: "O Falcão tinha muitas convicções bem particulares a respeito de tudo. A médio prazo, foi ótimo, porque eu sempre prefiro discutir com gente com opiniões."

Mas o "fator Weezer" acabou dando certo. Falcão entrou no Maybees já com a promessa de gravar um CD em breve. Dois meses depois eles entraríam em estúdio, aonde ele realmente iria se adaptar ao estilo da banda - com toda a tensão e os conflitos que uma adaptação pode causar.

Habacuque recorda: "Foi só o tempo de aprender as músicas e já fomos pro estúdio, com experiência quase nenhuma, e ainda acreditando no mercado fonográfico brasileiro (se fizermos algo bom, conseguiremos vencer). Eu realmente acreditava que as coisas funcionavam assim."

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