Não fique triste! Aqui você verá que não existem motivos para desespero e pânico. Ainda há uma luz no fim do túnel para o nosso tão desprezado rock brasileiro. Ainda há um fio de esperança para quem aprecia uma boa música pop. Vanessa, Mauro, Habacuque, Edu e Vlad estão na ativa. Eles não vão nos abandonar assim tão facilmente.

 

Com um repertório de mais de 20 músicas, muito otimismo e confiança no próprio potencial, o Maybees entrou em estúdio gravando pela Polythene Pam - um selo independente que existia desde o início dos anos 80 mas encontrava-se desativado. O produtor Marcelo Fontanesi assumiu o compromisso de produzir, dividindo com a própria banda os custos da gravação do tão sonhado primeiro CD.

Organizados, preparados e cientes de que tinham pouco tempo em estúdio e experiência "zero" em gravação profissional, a banda escolheu 14 das várias músicas compostas e se trancou no estúdio durante 6 meses até que a criança viesse ao mundo.

O parto não foi fácil. O perfeccionismo de sempre aliado à pouca experiência e ao ajuste do recém-contratado baterista à banda causou alguns atritos. Alguns músicos convidados participaram da gravação: Kim Kehl (slide guitar), Cleber Santiago (codinome de Alexis Toledo - trompete), Jefferson Caetano (violino) e Carlos André (violoncelo). Os instrumentos adicionais vieram para dar vida aos arranjos complexos criados pela banda.

O encarte criado por Falcão mantinha o "padrão de qualidade Maybees". A capa trazia uma foto que ele mesmo tirou em uma viagem a Sevilha, mais a idéia de Habacuque de usar em primeiro plano um envelope cujo selo fizesse parte da paisagem ao fundo. O encarte interno continha as letras de todas as músicas, com selos ilustrando cada uma. Apesar de todo o CD estar em inglês, não deu pra evitar os agradecimentos em português. Lá estão familiares, amigos, amores e nomes que já vimos aqui, como Mother Superior, Aardvark, ESPM e Fofy.

Este site já existia na época, com um layout completamente diferente. O que começou como um site gratuito, na época do CD já era "ponto com" - ajudando a difundir a idéia de que o Maybees não era apenas uma banda brasileira, mas sim uma banda do mundo. Ou disposta a conquistá-lo.

Mas havia a preocupação com o uso excessivo da língua inglesa, e não era só na seção de agradecimentos. O nome do disco também trazia esta preocupação. Nunca houve um título para o CD, desde o início sempre foi "The Maybees". Isso não impediu que houvesse mal-entendidos: no primeiro release da banda, o texto começava com uma brincadeira em inglês ("Straight to the point (direto ao ponto), The Maybees é o CD...") que fez com que muita gente achasse que "Straigh to the point" fosse o nome do álbum.

Mas toda essa preocupação com títulos, encartes e divulgação não valeria nada se o principal - as músicas - não estivessem no "padrão de qualidade" que o Maybees estipulou para si mesmo. E elas estavam. Estavam além do padrão de qualidade do que se faz no rock brasileiro. Não é de se espantar, portanto, que eles sonhassem com um futuro promissor, esperando pelo dia em que poderiam enfim viver do rock.

O disco abre com "Chatting Room", a música que apresenta o estilo da banda ao ouvinte; Seguem baladas como "The Mirror of Your Eyes", "Nothing But the Weather" e "Misty Eyes"; "You're Back", sobre um acidente de carro que termina de forma romântica, era o hit nos shows; "Scream Queen" foi a escolhida como música de trabalho; algumas flertavam com o psicodelismo, como "Skyscrapering" e "Selling Millitary Weapon (Monkey)"; e "Blue Butterflies" fecha o disco com chave de ouro - impossível não se emocionar com esta linda balada acústica.

Para Mauro, a música que resume o sentimento do disco é "Skyscrapering". Ela traz um clima de "incerteza sonhadora" que fazia sentido na época. O Maybees não sabia direito como isso iria acontecer, mas tinha certeza de que o sucesso viria de alguma forma, mais cedo ou mais tarde. A banda tinha talento, as músicas eram ótimas, o trabalho estava sendo feito de forma séria e competente... Enfim, o que poderia dar errado?

O reconhecimento da crítica veio logo: matérias nos principais jornais do Brasil, elogios rasgados das revistas especializadas, jornalistas apontando a banda como a grande revelação do rock nacional, colocando o CD em listas de melhores do ano no país. A principal matéria desta fase foi no caderno Folhateen, da Folha de São Paulo. Escrita por Thales de Menezes, colocava o Maybees como a salvação do rock brasileiro, e chamou a atenção de outros veículos de comunicação para a banda.

Meses depois do lançamento do CD, houve a oportunidade de se fazer um videoclipe. A música escolhida foi "Scream Queen", e a sua produção seguiu o mesmo esquema da produção do CD: banda e gravadora dividindo os custos. Dirigido por Wiland Pinsdorf, da V Filmes, filmado em 16mm nas cidades de Brotas e Santana do Parnaíba, o clipe foi exibido algumas vezes na MTV, em programas como o Gás Total e o Lado B. No programa TVZ do Multishow, ele ficou entre os mais pedidos e até superou Ricky Martin por algumas semanas!

Com um grande CD nas mãos, um público fiel, o apoio da crítica e um videoclipe bacana, todos esperavam que a banda iria estourar em breve. Mas todo esse carnaval ao seu redor não se converteu em algo concreto, financeiramente falando.

Claro que a banda não ficou parada esperando um contrato milionário cair do céu. "Fomos atrás de shows, de divulgar nós mesmos, de melhorar o site, de conhecer gente do meio, de movimentar a ceninha, de ver se as casas de shows davam espaço. Foi uma das épocas em que mais fui atrás, com uma confiança muito grande de poder transformar o mercado, não me render à dureza dele",lembra Mauro.

Profeticamente, a letra de "Skyscrapering" diz "as pessoas mudam, às vezes nós não somos quem gostaríamos de ser". A partir daquele momento, os membros do Maybees iriam começar a mudar, a amadurecer como pessoas, como músicos e como banda. A tal "incerteza sonhadora" estava com os dias contados.

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